TCC - Bacharelado em Ciências Sociais (Sede)

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    Transpor vidas: memória e memoricídio de Mulungu a Negreiros
    (2026-07-10) Anselmo, Maria Luiza dos Santos; Silva, Ana Carolina Aguerri Borges da; http://lattes.cnpq.br/1395434012645072; http://lattes.cnpq.br/7028391130937980
    Por intermédio do Programa de Reassentamento das Populações (PBA-08), o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) deu início à transposição que deslocou casa, cotidiano e chão de 26 famílias agricultoras da comunidade de Mulungu para a Vila Produtiva Rural Negreiros (Salgueiro/PE). Tal reassentamento não tardou a suscitar diversos problemas, visto que transpor parte das águas do Velho Chico foi transpor, concomitantemente, vidas — constituídas por feitos, vínculos, lutas, lutos e, portanto, memórias. Assim, a presente pesquisa debruça-se sobre as dinâmicas dessa experiência a partir da vivência de sua liderança comunitária com o objetivo de apreender a subjetividade negligenciada desses sujeitos, que, excluídos dos processos de construção de alternativas ante o impacto da obra, foram submetidos a um processo de memoricídio. Metodologicamente, a pesquisa ampara-se na abordagem qualitativa, instrumentada pelo método da entrevista semiestruturada, possibilitando a reconstituição do passado de um coletivo que doravante busca se refazer.
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    “Síndrome de capitão do mato”: continuidades do racismo estrutural e da violência policial no Brasil
    (2026-07-15) Santos, Lílian Glaucia Nascimento dos; Andrade, Rayane Maria de Lima; http://lattes.cnpq.br/7190036182698859; http://lattes.cnpq.br/4118857546002724
    Esse trabalho investiga como a categoria “síndrome do capitão do mato” mobilizada por Ana Flauzina pode ser utilizada enquanto chave interpretativa para compreender permanências do racismo estrutural e da violência policial no Brasil contemporâneo. Inserida no campo da sociologia da violência em diálogo com a sociologia do crime, o trabalho adota uma abordagem teórico-analítica, fundamentando-se em revisão bibliográfica dos eixos temáticos mobilizados em cada capítulo, na interpretação crítica da literatura especializada e na contextualização por meio de dados secundários produzidos entre 2012 e 2025. A análise articula contribuições dos estudos sobre colonialidade, racismo estrutural, violência policial e segurança pública para investigar a categoria “síndrome de capitão do mato” para além de interpretações moralizantes, compreendendo-a como instrumento analítico capaz de evidenciar processos de incorporação e instrumentalização de sujeitos negros na Polícia militar brasileira. As considerações indicam que a incorporação dos policiais militares negros à base operacional da instituição não rompe com as vulnerabilidades produzidas pelo racismo, revelando posições marcadas por profundas contradições, nas quais trabalhadores negros exercem autoridade institucional sem que deixem de ser submetidos às mesmas estruturas que distribuem diferencialmente a violência e a exposição à morte. Conclui-se que a categoria possui relevante potencial analítico para compreensão as relações entre Estado, colonialidade, racismo estrutural e segurança pública, deslocando a análise da responsabilização exclusivamente individual para as racionalidades históricas e institucionais que organizam a violência.
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    “um povo feiíssimo, malcheiroso, mal-educado, ruidoso, estólido, preguiçoso, indolente e mentiroso": a representação satírica do Brasil em Viva o Povo Brasileiro (1984) de João Ubaldo Ribeiro
    (2026-07-13) Moutinho, Isabel Noêmia Brandão; Almeida, Sherry Morgana Justino de; http://lattes.cnpq.br/5332850255576710; http://lattes.cnpq.br/6628038846654950
    O presente trabalho realiza uma análise do romance Viva o Povo Brasileiro (1984) do escritor João Ubaldo Ribeiro a fim de mapear as contribuições identitárias possibilitadas pelo uso da linguagem humorística do autor, entre as quais destacam-se a ironia e a paródia. Ademais, busca compreender a relação desses recursos com a própria identidade brasileira. Para tal, a análise parte da contextualização sócio-histórica do romance em um período de abertura política (1984) após o regime ditatorial ocorrido em 1964 no Brasil. E, a partir da própria obra, mapeia os eventos históricos em paralelo à contribuição antropológica de Darcy Ribeiro (1995) e sociológica de Norbert Elias (1939) a fim de entender as particularidades do processo civilizatório brasileiro. Por fim, discute como esse processo que perpassa a importação dos códigos civilizacionais europeus e a adaptação às culturas originárias da terra e, de outros países, contribuiu para a formação de uma cultura de síncope e um habitus humorístico.
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    Entre versos e rimas: um estudo qualitativo como a nova poesia marginal recifense subverte os conceitos da indústria cultura
    (2026-07-13) Araújo, Dayana Karoline Silva de; Paula Júnior, Josias Vicente de; http://lattes.cnpq.br/8013351027708968; http://lattes.cnpq.br/8409721588846677
    Esta pesquisa analisa, por meio de uma abordagem qualitativa e de caráter explicativo, como a nova poesia marginal recifense subverte os conceitos da indústria cultural formulados por Theodor Adorno e Max Horkheimer. Para tanto, utiliza a entrevista narrativa como principal procedimento metodológico, articulando a análise das falas dos participantes com a literatura sociológica e crítica sobre cultura, literatura e indústria cultural. O estudo demonstra que, embora inseridos nas dinâmicas contemporâneas das redes sociais e do mercado cultural, esses poetas constroem formas alternativas de circulação, produção e compartilhamento da arte, ressignificando as relações entre criação artística, espaço público e consumo cultural.
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    Fios de autonomia: o ofício do crochê como prática de resistência e construção de independência financeira entre jovens mulheres
    (2026-07-09) Brito, Anna Julia Reis de; Cardoso, Maria Grazia Cribari; http://lattes.cnpq.br/2450643941158970; http://lattes.cnpq.br/4361599246481309
    O artigo analisa o crochê como trabalho feminino atravessado por gênero, valor e circulação social, mostrando de que forma essa prática pode gerar autonomia financeira e também reproduzir precarização. A pesquisa, de caráter qualitativo, foi realizada com entrevistas semiestruturadas com seis artesãs de Recife e da Região Metropolitana, e articula as falas ao debate feminista sobre divisão sexual do trabalho e sobre a fronteira entre produção e reprodução da vida. A partir de Danièle Kergoat e Helena Hirata, o estudo mostra que o crochê é frequentemente desvalorizado por ser associado ao doméstico e ao “natural” feminino; com Tim Ingold, entende o fazer artesanal como processo relacional entre corpo, material e tempo; com Alfred Gell, analisa as peças como agentes sociais que prolongam a presença e a autoria das artesãs; e, com James C. Scott, interpreta o crochê também com a concepção de resistência cotidiana e micropolítica. Este artigo estuda como o aprendizado é construído socialmente, por observação, prática e circulação de saberes, e como a comercialização do crochê envolve precificação, visibilidade digital e negociação de reconhecimento. Entendendo que o crochê não é apenas passatempo ou ornamento, mas um campo de tensão entre autonomia e sobrecarga, em que mulheres produzem renda, vínculos e presença social, embora ainda enfrentem baixa remuneração, desvalorização e compressão do tempo de trabalho.
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    Cor sob suspeita: abordagem policial como forma de controle de corpos negros
    (2026-07-15) Barros, Maria Eduarda Barbosa de; Andrade, Rayane Maria de Lima; http://lattes.cnpq.br/7190036182698859; http://lattes.cnpq.br/2133805315314719
    Este trabalho analisa as discussões sobre a violência e a seletividade policial contra jovens negros no Recife, investigando como essa população interpreta e significa as abordagens em seus cotidianos. O objetivo central consiste em compreender as percepções de jovens negros alvos de abordagens policiais na capital pernambucana, analisando a construção da “fundada suspeita” e de que maneira essas interações interferem na construção de suas identidades e nas suas rotinas urbanas. Historicamente, a segurança pública no Brasil possui raízes ligadas à manutenção da ordem escravocrata, herança que se reflete na construção contemporânea do “suspeito padrão” e nos altos índices de letalidade racial no estado. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa exploratória baseada em amostragem por conveniência, utilizando entrevistas qualitativas semiestruturadas e registros em caderno de campo com cinco estudantes universitários negros de diferentes bairros das Zonas Norte e Oeste do Recife. A análise dos dados deu origem a três eixos estruturantes: o estigma da cor, a territorialidade da suspeição, e as táticas de sobrevivência e policiamento. Os resultados revelam que as abordagens policiais (popularmente conhecidas como “baculejos”) geram profundos impactos psicossociais e traumas subjetivos, como sentimento de revolta e medo. Diante do perfilamento racial, os jovens desenvolvem estratégias hipervigilantes de sobrevivência urbana, alterando suas vestimentas, posturas e rotas, sugerindo que, no modelo de policiamento ostensivo, a cor da pele tende a se sobrepor à conduta.
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    Cultura, cidadania e educação ambiental para crianças e adolescentes de Igarassu: relato de experiência de uma bolsista de extensão universitária
    (2026-07-09) Santos, Kátia Maria dos; Sousa, João Morais de; http://lattes.cnpq.br/9057718684364301; http://lattes.cnpq.br/0555450206583145
    Este artigo relata a experiência de uma bolsista de extensão universitária na execução do projeto Cultura, cidadania e educação ambiental para crianças e adolescentes de Igarassu, Pernambuco. O projeto foi desenvolvido ao longo de 12 meses, precisamente, de janeiro a dezembro de 2017, com uma média de 35 crianças e adolescentes, dos sexos feminino e masculino, com idades variando entre 9 e 13 anos, da Escola Municipal João de Queiroz Galvão, na comunidade Beira-Mar I, no centro de Igarassu. O objetivo principal foi criar condições para que crianças e adolescentes de escolas públicas das comunidades Beira-Mar I e II em Igarassu pudessem desenvolver uma consciência crítica comprometida com a cultura popular e a preservação do ecossistema de manguezais, tendo a participação e a educação ambiental como ferramentas principais; buscou-se também detectar as condições das moradias e de valorização da área local, e, por fim, despertar nos participantes o gosto pela arte e pela cultura, no sentido de criar laços de interação e pertencimento, bem como estimulá-los à participação em atividades culturais e ambientais, promovendo a cidadania e a inclusão social. São descritas as etapas de planejamento, diagnóstico participativo, oficinas temáticas, seminários, mutirões, produção de material educativo. O relato evidencia os desafios logísticos, as estratégias de engajamento das crianças e adolescentes e os resultados alcançados. Conclui-se que a atuação da bolsista, devidamente orientado, foi de fundamental importância para a articulação Universidade-Comunidade, e que a Extensão Universitária, quando vivida na prática, transforma positivamente tanto os sujeitos atendidos quanto o próprio extensionista.
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    Entre o sol e os bytes: da peleja com as imagens aos tempos dos algoritmos - uma autoetnografia audiovisual
    (2026-07-10) Silva, Mauricio Corrêa da; Silva, Ana Carolina Aguerri Borges da; http://lattes.cnpq.br/1395434012645072
    Este artigo analisa como as sucessivas transformações tecnológicas no audiovisual brasileiro, do analógico à inteligência artificial generativa, reconfiguraram minha prática profissional ao longo de mais de quatro décadas de atuação no campo. A partir de uma abordagem autoetnográfica, mobilizo memória profissional documentada, observação participante e reflexão crítica para compreender como mudanças técnicas e econômicas alteraram modos de produção, noções de autoria e critérios de legitimidade no audiovisual independente, especialmente no contexto Recife/PE. Argumento que a inteligência artificial, embora se apresente como ferramenta de otimização, amplia disputas já presentes na digitalização e na plataformização, recolocando em novos termos a questão da autoria humana e da soberania cultural.
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    Polícia, saúde mental e drogas: um olhar sociológico sobre o sofrimento psíquico em corpos fardados
    (2026-02-11) Coelho, José Henrique Souza; Spenillo, Giuseppa Maria Daniel; http://lattes.cnpq.br/4350911353530987
    Busca-se investigar a relação entre polícia militar, saúde mental e uso de drogas, a partir de um olhar sociológico sobre o sofrimento psíquico produzido em corpos fardados no Brasil. Toma-se como premissa a compreensão de que o adoecimento mental de policiais militares não pode ser explicado exclusivamente por fatores individuais ou conjunturais, mas deve ser analisado à luz das estruturas sociais, institucionais e simbólicas que moldam a subjetividade policial. A pesquisa dialoga com a formação histórica da Polícia Militar brasileira enquanto aparato de controle do inimigo interno, com a construção de uma masculinidade hegemônica baseada na virilidade, no controle emocional e na negação da vulnerabilidade, e com os efeitos da militarização da segurança pública e da guerra às drogas. A partir de revisão bibliográfica, ancorada em autores da Sociologia e especificamente sobre teorias de gênero e saúde coletiva, discute-se como o sofrimento psíquico é produzido e administrado institucionalmente, bem como os modos pelos quais o uso de substâncias psicoativas emerge como estratégia informal de regulação emocional diante da ausência de políticas eficazes de cuidado. Compreende-se que o consumo de drogas entre policiais não constitui um desvio isolado, mas um sintoma de contradições estruturais que atravessam a instituição policial e a sociedade brasileira. Por fim, o trabalho aponta a necessidade de repensar as políticas de saúde mental no âmbito da segurança pública, deslocando o foco do indivíduo para as condições sociais e institucionais que produzem o adoecimento.
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    Desenvolvimento e violência: estudo sobre o aumento da criminalidade e das politicas de segurança pública no Cabo de Santo Agostinho
    (2026-02-06) Barbosa, Rubens Gabriel Assis; Faria, Maurício Sardá de; http://lattes.cnpq.br/1513772085737367; http://lattes.cnpq.br/1775289179684608
    Este trabalho analisa a relação entre o desenvolvimento econômico, a desigualdade social e a violência estrutural no município do Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. A pesquisa parte da formação histórica da sociedade brasileira e do Nordeste para tentar entender como as raízes coloniais e o modelo de desenvolvimento dependente perpetuam disparidades regionais. Examina-se o papel das políticas públicas de segurança no Brasil, discutindo sobre como a lógica militarizada e o punitivismo institucional atingem prioritariamente populações periféricas, consolidando uma ordem social excludente. O estudo investiga o paradoxo do Complexo Industrial Portuário de Suape, evidenciando que o crescimento econômico local não foi acompanhado por melhorias na qualidade de vida, resultando em segregação socioespacial e altos índices de criminalidade urbana. A metodologia fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, composta por revisão bibliográfica e análise de dados estatísticos oficiais. Conclui-se que a violência no território não é um fenômeno isolado, mas advém do reflexo de escolhas estruturais politicas e da omissão do Estado na promoção de políticas sociais integradas, reforçando a necessidade de uma gestão pública orientada pela garantia de direitos e cidadania.